terça-feira, 19 de Maio de 2009

Chagas do pensamento

Publicada por Faust Sotam



Nascer numa terra sangrenta
com visitantes por todo o lado
é viver em tormenta,
não estando descansado.

Juntos são unidos, desconhecidos
e estão todos colados.
Deus os fez efêmeros
uns mortos, uns avivados.

As chagas da família quatro
inundam, mancham o presente,
vendem tudo ao desbarato,
para ele ir ausente.

Desconhecidos brotam no quarto,
mais de mil por minuto.
Basta apenas um contacto
e ele torna-se corrupto.

Nascer numa terra magenta,
com pássaros voando na mente,
é acreditar na crença,
que Deus é omnisciente.

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Vazio

Publicada por Faust Sotam


Do vazio nós nascemos,

e para o vazio nós perecemos.

No vazio a Criação é ilimitada,

e totalmente re-criada.

No vazio eu me encho,

e nele eu desvaneço.

Do vazio eu posso ser tudo

e posso ser nada.
. . .
No vazio eu mergulho .

sexta-feira, 1 de Maio de 2009

Teia do Amor

Publicada por Faust Sotam


Apanhado na teia

a aranha te envolveu

preso e capturado

no casulo do amor

lutas pela liberdade

mais sufocado ficas

o coração bate depressa

mas a paixão venceu.

domingo, 26 de Abril de 2009

(Tu) do que precisas

Publicada por Faust Sotam

Tu ...

Tu vais ...
Tu vais acordar
despertar os sentidos.
Tu vais acender
a chama dos hinos.
Tu vais engrandecer
o que é relativo.
Tu vais sentir
a vida contigo.
Tu vais determinar
os teus castigos.
Tu vais desfolhar
os teus livros.
Tu vais beber
o teu vinho.
Tu vais sofrer
sem ter sofrido.
Tu vais chorar
por teres morrido.
Tu vais render
amando o amigo.
Tu vais entender
estar sozinho.
Tu vais despejar
o teu sentido.
Tu vais glorificar
nascer antigo.
Tu vais gozar
o estar unido.
Tu vais namorar
o amor iludido.
Tu vais reclamar
o ser entendido.
Tu vais soletrar
o verbo esquecido.
Tu vais amar
o fruto proibido.
Tu vais suplicar
o ser escolhido.
Tu vais provar
tudo o que é preciso.
Tu vais ...
Tu ...


quinta-feira, 23 de Abril de 2009

In Vitro

Publicada por Faust Sotam


Sou filho degenerado,
orfão logo na concepção.
Sou o Amor renegado,
vivendo na escuridão.

Anseio pelo teu conforto,
imploro por atenção.
Já nasci assim morto,
mas pretendo comunhão.

Todos surgiram de ti.
Teu brio é enaltecido,
na arte és articulado,
mas o axioma perdi.

Nasci chafurda imundo,
mas deploro libertação.
Tua oração é pelo mundo,
minha colecta é cognição

Quero antítese de cortesia,
minha equação é legítima.
Só peço crua homologia,
In Vitro sã ideologia.

quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Emoção no Azul

Publicada por Faust Sotam


Minha mente é um catavento,
me disse a mulher da Lux.
Ela roda sempre em alento
em contínuo fluxo.

De tantos neurónios moer,
dispersa o sábio pensamento
na cruz do saber,
no putativo cata-vento.

Por vezes roda irado
e gira, gira sem parar,
onde o pensamento é atirado,
indo parar além mar.

Raios partam o cata-vento !
Ora norte, ora este, ora sul.
Sua apologia é o movimento.
Minha emoção está Azul.

terça-feira, 21 de Abril de 2009

Liberdade para Amar

Publicada por Faust Sotam


Desde aquela noite etérea,
nos princípios de Primavera.
Que eu te examino,
escuto, sinto e defino.

Como sendo uma fera.
Mas também muito séria,
Que mal maldade termino,
fazes logo soar o sino.

Avisando que ser fiél é virtude,
e que cobiça vem do Diabo.
Mas ... Eu vivo deste lado
e quero ter plenitude !

Amas-me na pura verdade,
buscas o destino selado.
Mas ! ... E a nossa liberdade !
Não ficará perdida num Amor fechado ?

Eu sou te peço um favor,
não me faças viver atado.
Porque gosto do teu amor,
e sem ti sou descompassado !

segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Quando me sustentas

Publicada por Faust Sotam


Quando o céu está cinzento,
sinto-me muito diferente.
Mas surges colorida
no teu amor florescente.


Cobres minhas palavras,
engoles o meu sentimento.
Meu anjo sem asas,
que era sem teu alento.

Quando o céu está cinzento.
Do silêncio vem logo conversa,
não quero expressar pranto,
mas a ti não te interessa.

Será que estes dias cinzentos
são o prato onde me comes.
Será que estes dias cinzentos
são prova que me sustentas.

domingo, 19 de Abril de 2009

(Só) Mente Mais

Publicada por Faust Sotam


O pensamento gera acção,

a acção gera movimento,
o movimento gera sofrimento.

Só existe uma solução:

Suprimir por completo

a falácia no pensamento.

Não quero mais o especular grosseiro.

Não quero mais aglutinar frases mudas.

Não quero mais o fogacho tagarela.
Não quero mais embotar ...


Dentro deste onírico quadro,
que me trás hiperestesia
e esquentamento gelado.

Só anseio narrar livremente,
sem o geocentrismo fatídico

e malogrado futuro em mente.


Só quero mais o romancear certeiro.

Só quero mais adornar palavras sãs.
Só quero mais a paráfrase bela.
Só quero mais maravilhar...

Só quero mais ...
Só quero ...

Só ...

...
+

quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Pássaro humano hiperbólico

Publicada por Faust Sotam


Deixa-me erguer !

Pássaro humano.
-Climax d´exasperação
em erecta diversão.

Deixa-me viver !
Pássaro humano.
-Autómato d´aplicação,
apostila da desilusão.

Deixa-me ver !
Pássaro humano.
Sem cativo brasão,
a branda exalação.

Deixa-me !...

... pássaro humano .


Em génese branca
sem evasões,
em sinal aberto,
sem intermissões.

quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Fado de viagens

Publicada por Faust Sotam


Fantasmas do passado,

assolaram o presente,
reminiscências de um ser,
que se aloja na mente.

Atrofia-se a viagem,
dá tudo para o torto.
Não se vive a passagem
és um nado-morto.


Fiz viagens, fiz pontes.

Cultivei dogmas, critiquei a fé.
Sondei o universo, adquiri horizontes,
onde o excelso apenas é.

Os saudosismos nesses devaneios
sufocam na dilaceração.
Na directiva vive-se agora
com os pés assentes no chão.

Olhei o passado, fechou-se a porta,
sou diligente na ilusão.
Enfeito elementos na paisagem,
com singeleza de coração.

Fados do passado
exorcizam o presente.
O Eu quer ser,
ser vastidão.

terça-feira, 14 de Abril de 2009

Cores primárias

Publicada por Faust Sotam


Sentiste o Amarelo.

-A luz de todo o ser
que inunda o mundo,
e chameja o belo...

Amaste o Vermelho.
-Paixão da Vida,
que respira,
nosso cancioneiro...


Desejaste o Azul.
-Côr do Céu
que enxerga a paz,
nosso hibernáculo.

Nas cores te revelas.
Na via te superas.
Na maturidade bela.
Apenas esperas...

És tudo no todo.
És todo no tudo.
Nas três cores,
o eterno selas....

domingo, 12 de Abril de 2009

Minha heroína

Publicada por Faust Sotam


Deixaste-me de rastos...

Desamparado,
angustiado,
destruído.

E tudo para quê ?!

Para seres a ilusão,
roubares-me o coração
venderes aniquilação.

E tudo para quê?!

Poesia fatalista,
um espinho na carne,
vício insaciável ...

E tudo para quê ?!

Para seres minha heroína ?...

quarta-feira, 25 de Março de 2009

Neon-Natura

Publicada por Faust Sotam




Hoje observando a Natureza
vi como tudo é tão fugaz
existindo em plena força,
com esplendor e pujança

Ela existe, falece, renasce
o seu rasto é Eterno
Quando ela vem,
ela já foi,
ela é Urgente!

O todo tem ânsia de viver...

A Natureza tem pressa de chegar...